
Como poucos devem saber, eu fiz uma breve viagem ao Uruguai no último sábado (12/12/09), e, como o esperado, foi uma visita bem exótica, se eu tivesse uma câmera no olho teria sido bem melhor. Fui acompanhado de meus pais e de meu melhor amigo, a viagem foi suficiente para nos render boas risadas. Então relatarei em uma ordem cronológica os fatos.
Primeiramente a viagem foi calma, tranquila, sem muitos problemas, exceto pelo fato de termos encontrado um cara pedalando pelado no meio da estrada, mas isso é muito típico, infelizmente não tive tempo pra fotografar porque quando puxei a câmera ele entrou em uma vila e foi perdido para sempre, mas posso afirmar com clareza que ele tinha uma barriga muito grande, barba e cabelos grisalhos de igual tamanho.
Fomos à uma pequena cidade, a cidade de Quaraí, no RS, uma cidade bem NADA mesmo. O mais hilariante é que tinha uma frase muito interessante em um pilar que eu esqueci de tirar uma foto, uma frase de um escritor aí que eu nunca ouvi falar antes, mas era uma frase tão a ver com a cidade “Todos os atalhos levam à Quaraí.”; claramente o poeta/escritor estava tirando uma com a cidade só rindo do lixo que ela é, pouco mais de 20k habitantes, e os caras interpretaram mal aquilo.
Passamos direto e fomos à Artigas, uma cidade bem cachorra no Uruguai, nada além de 40k habitantes, o hilário é que ela tem o dobro de habitantes de Quaraí, e é uma em cada lado do rio Uruguai, uma coisa bem escrota, mas compreensível, logo direi o porquê.
Assim que passamos pela ponte, nós rimos da fiscalização nada menos que esperada: nenhuma. Na primeira vez que passei aquela ponte tinha dois guardas jogando cartas, provavelmente truco pela violência que um deles jogou a carta na mesa, dentro da casinha da fiscalização, nada além disso. Do lado ticano os caras ficam sentados conversando do lado de fora, ou dentro da casinha, mas nada além disso. Ou seja, qualquer um pode muito bem cruzar com uma bobma nuclear que ninguém vai nem perceber, e chegar na capital do Uruguai, não é mais difícil que ir de Porto Alegre à Curitiba. Podíamos estar carregando 100kg de cocaína, mas mesmo assim, nenhum problema.
No meio da ponte, com o rio transbordado, avistamos um cara em uma canoa remando, com pelo menos umas 30 sacolas em cada lado da canoa. Meu amigo comentou “A MARINHA MERCANTE À TODO VAPOR.” e eu complementei “A COMPANIA DAS ÍNDIAS URUGUAIAS DOMINANDO O ALTO RIO.”
Artigas é uma cidade “extensa”, mas isso não muda o fato de que o único movimento na cidade é na avenida principal, que é a mesma da ponte, é uma rua reta, onde ficam os GRANDIOSÍSSIMOS Free Shops e tal.
Estacionamos perto da Neutral, onde encontramos um restaurante, ou melhor, um bar com um nome bem peculiar:
LA PIKADA, um banner com salsichão assado e torto, molhadinho… Algo bem… Suspeito.
Compramos pouco mais que Pringles, já que tava à R$3,80 cada um, e um chocolate suíço lá no estilo diplomata tamanho maracanã.
Ao sair da Neutral encontramos um sujeito muito peculiar, um cara marombadão, camisa mamãe-sou-fuerte, de preto e um óculos escuro, eu prontamente fiz a representação dele quando ele passou por nós, o Yuri imitou ele usando a sanha do pica-pau, assoprar o dedo pra encher o peito e ficar fortão.
Fomos à Quaraí para comer, já que todo mundo sabe que comida de TICANO não é boa, fora o risco de tudo… No restaurante, esperando encontrar BRBRBRs, um sujeito magricelo e meio pardo nos atende, ele falava de uma maneira incompreensível. Ticano+potuguês, o que os menos preconceituosos chamam de portunhol e sei lá eu o quê… A comida era BR ao menos, uma massa boa, uma saladinha leve, a carne tava diliça.
Ah, a carne.
Não tinha muita coisa além de espeto corrido de carne, e mesmo assim não tinha muita carne, mas tava boa, nevertheless, o problema era o cara servindo, outro ticano. Eu nunca vou esquecer que lá no Uruguai é proibida a mão-de-obra BR, já aqui no Brasil a estória é outra. Estória mesmo. Então o sujeito veio nos servir com a carne e pela primeira vez experimentei o serviço de atendimento TICANOEXPRESS. O cara veio com a bandeja e o espeto com a carne, bateu com aquilo na mesa, jogando o “suquinho” da carne pra todo o lado, não pegou em ninguém, até que ele meteu a faca na carne e cortou como se a minha vida dependesse disso, parecia que tava usando um porrete e não uma faca, voou um pedaço na cara do meu pai, arrancou o pedaço jogando mais um molho na mesa e saiu como se aquilo fosse a coisa mais natural da história. Todos olhamos com os olhos arregalados, meu pai disse “esse é o atendimento desses argentinos e uruguaios…”, fiquei pasmo, nunca vi tamanho desrespeito antes. E logo meu pai comentou da primeira vez que foi num restaurante ticano desses, um restaurante super chique, era uma churrascaria no mesmo estilo, e depois de fazerem os pedidos os garçons vieram com uns panos e capas, meu pai estranhou aquilo, quando viu os garçons colocaram aquilo por cima dos casacos nas cadeiras para não sujar… O Yuri comentou falando “Serviço de primeira!” e meu pai “…” com um sorriso negativo e eu falei “Na verdade seria um serviço de primeira se NÃO ACONTECESSE isso de molho e carnes voando”. Ele concordou e todos rimos em paz.
Voltamos à Artigas e passando pela avenida principal eu e o Yuri vimos uma garota, bem bonitinha, bem branquinha, cabelo moreno sentada em um lugar, com uma cara de tristeza tão profunda, eu fiquei com um pouco de pena da coitada, mas o impressionante é que tinha um sujeito agarrando ela e lambendo o rosto dela querendo dar uns pegas e ela naquela depressão, Yuri e eu pensamos no mesmo “o cara tá molestando a guria, né?” foi uma coisa um pouco perturbadora, porque realmente parecia. Então nos deparamos com um carro, que o Yuri disse ser verde, mas era azul marinho, um carro que vimos anteriormente, um branco, não tenho idéia de qual carro era, era um antigo no estilo meio anos 60.
Fomos às outras lojas, e fomos à um mercado, um desses mercados pequenos mas que são super em relação ao resto. E eu aviso, a inflação do Uruguai tá tipo a inflação do Brasil nos anos 80. A visão do povo lá meio que me deprimiu, mas foi mais nojo que tristeza, todo mundo parecia doente, todos pareciam estar com a peste bubônica, parecia que ninguém tinha tomado banho… Um horror, até encontrarmos isto:
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Depois de sairmos, eu notei que o pessoal “jovem” só andava em gangues, eram gangues de emos, gangues de pedreiros emo, os marginaizinhos eram bem no estilo aqueles mexicanos dos EUA nos filmes e no GTA San Andreas, uma coisa bem holywood. Mas eu fiquei impressionado com a GANGUE DA BIKE, eram 4 garotinhos, sujos, com cabelos de emo, andando em bikes do tipo camelão anos 50, todas vermelhas, e o liderzinho deles era o mais sujo e o menos baixinho, ele devia ter uns 28 anos, mas tinha 1 metro e meio de altura, a bicicleta que deixava ele perto da minha altura. O líder era o mais badass de todos, ele ia cuspindo e fumando com o cigarro entre dois dedos, PUUUUUUUUUUUUUURAAAAAAAAA BADASSERY. Eu e o Yuri rimos como um todo daquilo.
Depois ficamos por uma hora na casa da prima de um amigo da minha mãe lá, uma super mansão, cheia de artes e umas merdas bem cachorras que ricos têm pra dizer que têm/fizeram, mas que na verdade são coisas ridículas e feias, uns “quadros” de pedra polida com pinturas de tinta guache, uma coisa bem de criança, ridículo, e as mulheres achando o máximo aquilo. Uma dessas casinhas de rico, com um sofá horrendo, 4 lugares, literalmente, se sentar entre um e outro tem um ferro na bunda pra te deixar desconfortável. Muito desconfortável. Meu pai disse que é um sofá para visitas, para que todos fiquem sentadinhos comportadinhos, com uma mesa de centro de vidro, vai se fuder, essas casas de amostra pra deixar os otários procurando financiamento imobiliário babando, nada além disso. As escadas para o segundo andar eram ridículas, não as escadas e decoração, mas a arquitetura daquela merda, era uma coisa extremamente claustrofóbica, se aquilo tiver 2 metros de altura entre o piso das escadas e o teto é muito, srsly, o Yuri disse que o arquiteto era um anão. Só podia ser, o banheiro, ou “lavabo”, em baixo da escada era uma coisa ridícula de 1 metro e meio, é pro cara chegar se cagando, abaixando as calças e pulando no vaso, que fica do outro lado, e não na porta, e tem uns degraus sacanas quase invisíveis descendo na parte da porta, é uma coisa bem retard, o arquiteto daquela merda devia ser muito burro ou uma criança de 2 anos de idade. Quando saímos, encontramos outros dois carros daquele anos 60, um azul claro e um vermelho. 4 Carros daqueles, um azul marinho, um branco, um azul claro e um vermelho.
Depois fomos a um lugar lá perto da praça. Na praça ia ter um evento, alguma coisa estranha lá, bem cachorra, com uma banda ticana cantando umas músicas muito ruins, e os ticanos rebolando lá, uma coisa bem gay. Porque isto é um fato: TODOS ESSES TICANOS TÊM CABELO DE EMO, SÉRIO. Não entendo isso, todos eles tinham cabelo de emo, fiquei indignado. MAS TINHA UNS CARAS MUITO ESTRANHOS, COM UM CORTE DE CABELO QUE EU NUNCA TINHA VISTO ANTES, EU CHAMEI DE MULLET INVERTIDO POR UM ERRO, MAS FICOU PERFEITO, era uma coisa muito estranha, imagine um corte de cabelo militar, é tipo aquele cabelinho bem curto na cabeça, com um porém: o cabelo da nuca era longo, era uma coisa MUITO BIZARRA, MAIS BIZARRO QUE O NICHOLAS CAGE NO PERIGO EM BANGKOK, era um cabelo descontínuo, e um dos marginaizinhos usando o MULLET INVERTIDO lá usava aquilo como o chimbinha, pintado só na parte comprida do cabelo, tipo PRETO E MARROM, uma coisa muito… Inexplicavelmente bizarra.
Dentro do lugar tinha um “lanche” que era só panetone, sanduíche e coca-cola. A coca-cola em uma embalagem que eu nunca presenciei antes:
Depois daquilo fomos à um jantar que ia ter no CLUBE DEPORTIVO DE ARTIGAS, um nome bem bizonho em português…Era no segundo andar, no terceiro tinha uma festa de quinze anos. A festa me marcou, mas primeiro à janta: a comida era ruim. A porta do lugar onde íamos comer era assim:
Euri duro.
Tinha um mosquito na salada de batata do Yuri, e ele comeu. Serviram Coca-Cola e um derivado do Champagne sem álcool de festas aí, só que mais ácido sulfúrico, uma substância bem ruim, em jarras, ou seja: pra quê gás no refrigerante, né? A carne era muito ruim, só o pão era bom, a galinha tava comestível e o resto… O resto foi. Serio, aquela carne tinha nabo, cenoura, ovo e alguma coisa verde inexplicável no meio, era bem… bizarro.
E então íamos embora, mas tivemos que esperar algumas coisas então ficamos lá fora, porque tinha um vento quase agradável. E lá no terceiro andar tinha a festa, com um DJ muito horrível, ticano, falava palavras indiscerníveis, era uma coisa… Terrível. A músicados ticanos é uma coisa tão bizarra, que nos 30 minutos que ficamos esperando lá fora, parecia que não tinha mudado, era a MESMA BATIDA, por horas. Terrível. Meu pai ficou lá dentro um pouco mais e disse “Aqui em baixo tá cheio de homem… As gurias tavam querendo descer pra fazer farra aqui em baixo mas os seguranças não deixam…” A parte dos homens foi uma cois abem óbvia. A ratio de homens:mulheres parecia 34:1, na sacada tinham uns 4 ou 5 homens, só homens. Só tinha bola. E então surgiram 8 marmanjos e uma puta com um vestido curto arrumando o sapato, do nada, eles vieram da rua pra entrar na festa, algo MUITO suspeito… E finalmente UM TICANO conseguiu sair com uma guria da festa. Parece que um cara ao menos conseguiu a janta, ou café da manhã.
Então saíram os 5 ou 6 caras da sacada. Ficou vazio, nenhuma sombra noas janelas com aquelas luzes coloridas girando, aquele, com certeza, era o pior DJ de todos os tempos.
Depois saíram dois carinhas com uma garota, e ficaram perto da porta, um deles com certeza era só o cara segurando vela, que na verdade era tão falho que tava tentando acender um cigarro, parecia que tava fumando crack, meu pai disse “não, crack não, era só um cigarro.” e eu “Ah, é verdade, a inflação tá tão alta que até o crack tá caro…”
De repente começou a encher de homem aquela sacada, SÉRIO, MUITO MARMANJO, 2, 3, 4, 5, 7, 9, então eu parei de contar… O Yuri disse “NOSSA, AQUILO VIROU UM SAGU”, eu ri tanto e fui pegar meu celular pra tirar a foto, quando tirei, eram 12 marmanjos, e isso em menos de 30 minutos.
Por sorte saímos pouco após, eu fiquei imaginando, se são 12 a cada 30 minutos… Aquilo lá logo vira um YMCA.
Quando passamos pela ponte encontramos ou quinto carro anos 60, um amarelo. ERAM OS POWER RANGERS! Só que faltou o verde que o Yuri pensou ter visto, eram dois azuis, um vermelho, um branco e um amarelo.
Foi uma viagem bem ruim. Que bom que terminou.







Escrito por monoolho 
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